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domingo, 24 de abril de 2011

Balança na dança, embala a criança.


Fico no centro e me movo conforme o embalo da excitação
Não escolho o da esquerda e nem o da direita; mas fico oscilando nesses lados como um refúgio. Refúgio das sensações ilusórias de instantes de satisfação.
Digo que estou apaixonada de manhã e à noite morro de tédio desse discurso falsete.
Brinco de dizer que sinto, só para eu não me sentir, mais uma vez, um núcleo duro de seriedade.
BRINCO de sentir. Ou melhor, BRINCO de sentir a possessividade, o ciúme, o corpo-a alma-e a mente como um cimento seco:

     U      O
P       L        .

arremesso
roubo
me estresso

ca-mi-nho
cooorro
falo: "xeque mate"
tropeço

retruco
começo
e no abuso
peço um pause

uma água.
uma cerveja e qualquer outro entorpecente 

canso
paro.
canso
paro.
saio
caio

Desacredito
Fico bêbada de vodca barata
Grito no ar: "amor? Que amor?, essa coisa institucional?, quem acredita nisso?"

(...)e esqueço de jogar
Esqueço de fingir amar esse amor falso
Esqueço que não sei sentir igual aos tolos
Esqueço de me enquadrar

e quando me lembro de que às vezes é bom sentir de mentira; de ter a ideia ilusória do amor... fico, novamente, oscilando entre o da esquerda e o da direita.

Daí eu analiso pra ver qual eu escolheria. E brinco de uni-duni-tê como se isso fosse, realmente, uma escolha barata ou uma brincadeira banal.

Como se eu não pudesse "ficar" com um, dois, três, quatro, infinitas opções. 


E mesmo se eu tivesse que escolher, todo o mundo saberia pra que lado eu me apoiaria...

Todo o mundo saberia...

Acho que é porque esse lado reforçaria ainda mais o conceito de amor livre...

Reforçaria o que eu, realmente, acredito.

3 comentários:

Suzi Mossmann disse...

Construções culturais que nos guiam, nos limitam e nos impedem de não sentir a "culpa" institucionalizada... às vezes, não sei, me perco tanto nos abismos da significação, da busca por algo que não se sabe por quanto tempo ainda está lá... O resto é conceito. E o que mesmo é tudo isso? Me perco.. com ou sem "culpa".

Ger disse...

Acredita mesmo, tassi? Não sei até que ponto certas coisas são institucionalizadas e também não sei o quanto é ruim ser tolo algumas vezes na vida. Só sei que não consigo viver perdido em tantas opções, e acho que não sou o único assim.

Tassi disse...

Acredito no amor livre. Acredito que essa é a forma de o amor verdadeiro, realmente, durar.
Não que esse amor institucional que as pessoas vivem, seja um amor errado. Não, não é isso. Mas o amor é uma coisa maior.
Não acredito em algo restrito.
Acho que o amor tem que ser doado ao mundo.
Posso amar o mundo inteiro e não uma pessoa só.
Por isso acho que não há fidelidade. Aliás, pode haver, mas as pessoas se limitam.
Como disse Roberto Freire: "A gente é monogâmico só quando o amor está bom demais. Se ele fica bom, quer dizer, normal, a gente se torna logo poligâmico. Agora, quando está bom demais, não há como pensar em outras coisas, querer outras pessoas. Ficamos ali mergulhados naquela experiência, querendo aprofundá-la, vivê-la por inteiro. Isso deriva daquele negócio da gente, se quer a liberdade, não poder ser uma coisa só. Fritz Perls tem uma frase de que gosto muito: “Deus me livre das pessoas de caráter.” É que as pessoas de caráter são únicas, não mudam, não evoluem, têm obsessão pela coerência. E a vida não é assim. Na vida você tem de aparentar muita incoerência para poder viver todos os seus lados. Eu me sinto uma incoerência só, hoje em dia. E assim vivo muitas experiências, amo de mil maneiras mil pessoas, e sigo o que a Natureza me impõe. Sem entrar em um modelo, viver a moda, obedecer a padrões. Estou vivendo meus impulsos, minhas funções vitais que às vezes coincidem com as gerais e institucionalizadas, com as que foram classificadas; outras vezes, a maior parte das vezes, não, pareço maluco, dou vexames…"
(http://elanuaecrua.com.br/17-roberto-freire.htm)

E ainda outro poema que achei um dia e que me fez muito sentido:

"Diz o amor cativo:

- Tenho medo de perder-te, por isso te mantenho preso(a) a mim.
Sou um ser cativo e cativo mantenho o meu amor
Nasci para cuidar e prover, proteger e preservar a quem amo.
Sinto-me responsável pela sua felicidade e a minha depende do seu amor.

Não posso o seu canto encantado compartilhar,
Tenho medo que outros o apreciem e desfrutem como eu.
Quero, assim, que cante só para mim, como eu vivo só para ti.
Quero e alimento a ilusão de que pertences e olhas somente a mim.

Morro de amor e agonizo sem o seu amor, sem sua presença.
Morrer de amor é sublime, é sagrado, é romântico.
... é viver para amar você e ser amado por você.
"...Tu te tornas responsável por aquele que cativas."

Porque eu te amo, quero que me ames tanto ou mais.
Porque, de mim tudo te dou, não aceito menos de ti.
Quero acima de tudo que estejas perto de mim e estar contigo
Não podes ser feliz sem mim, pois não posso ser feliz sem ti.


Diz o amor em liberdade:

- Sou águia, ave livre que sobrevoa a vida.
Teu amor me enriquece e regozija, me traz mais alegria.
Mas me sinto feliz sem ti, senão ao amor a mim não viria
Canto porque sou livre, sou livre porque canto

O canto é meu alimento, a liberdade o ar que respiro.
Deixe-me presa(o) e definharei, morrerei de desgosto.
Deixe-me livre e virei cantar à sua janela, dia após dia.
Feliz ao teu lado, aconchegado no teu colo acolhedor.

Morrer de amor é tortura e afronta à vida.
Amar é deixar viver, é celebrar a vida e assumir as rédeas da sua vida.
Cativar é prender, aprisionar, tiranizar. Quem cativa não ama.
O amor é a mais humana (e por isso divina) forma de elevar a alma.

Nada quero nem nada espero de ti, apenas que sejas quem és.
Me ame, se queres, e deixe-se amar pelo meu amor.
Nada quero de ti que não seja o que podes me dar com prazer.
Nada te darei que não seja o que se libertar do meu ser".

Ana Cristina
(http://sentidostodos.blogspot.com/2008/04/dilogo-do-amor-cativo-e-do-amor-livre.html)



Bom, poderíamos falar horas sobre isso. Um dia, quem sabe, pontuo mais esse meu pensamento.



Beijos :)