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terça-feira, 1 de maio de 2012

Simulacro




As mesmas músicas me choram tentando comover com suas notas de esvaziar vazios. Duas ou três lágrimas se desfazem dos meus olhos, mas ainda sinto o sufoco contraído com o nó que vai do peito à garganta.
Eu não tenho motivos pra chorar, eu pensei.
Mas quem disse que para chorar precisa de motivos? E como se não me contentasse com a própria resposta indagativa, penso na maior dor dos últimos tempos para não parecer vulgar ou piegas demais com lágrimas à toa.
Penso nas dores passadas: coloco-me de frente à inquisição; ao holocausto; a primeira e segunda guerras; vou pro Oriente Médio; me revolto junto aos trabalhadores com as reivindicações operárias em Chicago; me volto aos sem-terra, caminho pelo sertão, entro no meu quarto...
E como qualquer truque barato
E como qualquer receita de bolo
...Mísera bula de um mísero remédio
Meu rosto é de água. E sinto-me estúpida como quem chorou demais.
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...E então tudo para de repente!




Acabou a música. Acabou o som. Acabou a etapa.

Agora sem nó e sem dó, sinto-me seca.
Sem água, sem sal e sensibilidade. 


Tinta fresca no armário.


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