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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

EU nunca sei.

É mais uma tentativa:

a noite chega, quer dizer, a madrugada chega e se repete como as outras madrugadas que se repetiram como outras tais madrugadas que fraquejaram silenciosamente remoídas em minha mais tristealma. A insistência, que me faz doer mais do que se eu não insistisse por esse momento que não chega nunca, é o que me faz estar aqui. Já nem sei o que escrevo, e jamais lerei o que escrevi por medo de haver mais uma noite fraquejada. 

Porque a razão é escrever. É dedilhar, dedilhar, dedilhar sem olhar o que foi dedilhado.
Hoje a questão de honra fala mais alto do que qualquer métrica, coesão ou coerência. 
Já tomei três xícaras de café em apenas trinta minutos e suo feito uma mulher diante de uma fornalha.

Preciso transpirar palavras, mas meu silêncio não grita com os dedos. 

Amanhã talvez... 






domingo, 26 de fevereiro de 2012

O ano que morreu de corpo

O ano que morreu de corpo está revirado de sementes.




O broto está nascendo agora.

Eis vazio

Dentro de mim há uma vida desmanchada em sangue.

E nem sorrisos, e nem andares, e nem Clarice. E nem dizer que todos somos iguais, que não se joga lixo no chão e que somos apenas marionetes tentando arrancar a corda que nos embala. E nem teorias eu aplicarei porque preciso estudar e não tenho tempo pra outra alma que não seja a minha.

" Quando acabará isso tudo, estas ruas onde arrasto a minha miséria e estes degraus onde encolho o meu frio e sinto as mãos da noite por entre os meus farrapos?" B. Soares

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Tomada em ênclise




'...descubro que estou chorando todo dia,
 os cabelos entristecidos
 a pele assaltada de indecisão'  (Adélia Prado)¹.




Fico imaginando se a melhor solução seria apagar-me desse lugar e transporta-me pra qualquer mundo mais sereno. Teria então – eu - a coragem de desmanchar-me em líquido a fim de desembocar-me em algum canto onde, quem sabe, eu não precisasse ouvir as ousadias impensadas de inúmeros humanoides?
Não sei o que é pior: solidificar-me com a ideia de que um dia, quem sabe, a brisa tocará as faces de mármore e cabeças de papelões – como já escrevera João do Rio, ou andar  ( sem maiores preocupações) como uma dessas cabeças em olhadelas tão baixas nas quais se fazem tocar as bitucas do chão.
Entender que dor dói mais não é uma tarefa fácil e, creio eu que, entre escolher saber que dói a “fingir” que não sabe o que faz doer, faz-me escolher o corroer por dentro.
Porque já não consigo não pensar . Mas de que adianta pensar? Deram-me indignação pra pouco fazer. fico mais em resmungos longos do que qualquer outra coisa.  Não sou corajosa e nem nada. A única coisa que faço quando algo me dói é pegar uma folha em branco e contar em diferentes formas as mesmas dores.
Se ao menos eu conseguisse fazer arte...




¹ Do poema Segundos papéis 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

E no fim do túnel "um brilho fosforescente de putrefação''






                                                   E
                                               B    D
A       A       A                     O            E
   r  i    r    i         M           S                    S
     e        e          O                                     C
                          V                                          E
                          E                                          E
                          D                                          E
                          I                                            E
                          Ç                                           E
                          A                                            .
                                                                        .
                                                                        .
     E 
    Me 
 Engole
Sem parar.


(Está sendo complicado conversar dessa maneira. Mas, mesmo assim, vou tentar dialogar um pouco).







Quando pequena decorei Camões sem entendê-lo muito bem.
Hoje, o declamo como se fosse uma oração.





Me afundei no que minha mãe chama de Banho Maria e, fico mergulhada aqui por algum tempo, até que - vez ou outra - alguém me 'pesca', afirmando eu estar precisando de uma respiração boca a boca pra ver se, enfim, serei salva desse buraco de neve. Mas nunca sou...


Por isso, não vejo a hora de ter um chão concreto entre os meus pés.
Bom, pra falar a verdade, esse foi o presente que sempre quis. Falando em presente, meu aniversário está próximo. 
Nesse ano persisto em querer algo concreto em que eu possa, finalmente, jogar meus pés sem medo. 
Ainda não fiz o meu pedido aos céus. Mas, de todo modo, vou lhe contar que chão, de fato, eu gostaria de ganhar:

Um chão de cimento seco.
Um chão de cimento seco.
Um chão de cimento seco.
Um chão de cimento seco.

UM CHÃO DE CIMENTO SECO, OUVIU BEM?


MAS, eis que, eis queee, eis queee :
se chegar o dia de soprar as velinhas e o Noel, novamente, não acreditar que eu sou digna de ganhar o que espero, vou pedir para ser uma gaivota...

Sem receio e sem nada...

É isso!  Se eu não ganhar o chão, farei isso no soprar das velinhas...

Fecharei os olhos e proclamarei em silêncio:

"Senhor, quero ser uma gaivota feliz"

Imagine: 

"lá vai a Dona Maria Ninguém da Silva, lambendo as águas do mar sem se preocupar com a ‘fundura’...

Sem o castigo do pensar

Batendo as asas sem muitas razões, 
Tomando vento no inverno 
E ainda não se preocupando com destreza alguma".


É, Isso seria melhor que qualquer chão!!!!



Estou enganada?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Eis que já sinto os ipês no cheiro da primavera.
E que me perdoe Leminski, mas o dia me pinga uma flor no olho e me enlaça.

Para minha querida Graça


Posso até parecer séria, amuada, ríspida, mas creio que simplesmente seja um humor peculiar, daqueles que não se contenta com o que as pessoas estão acostumadas a ‘rir-se a gargalhadas’.  O fato é que quase não me atrevo a rir-me e nem a zombar das coisas. Pessoas falam comigo e me dirijo a elas da maneira que me convém e, caso pareça grosseira e pouco educada, sei que é apenas impressão daqueles que não me conhecem. Até porque se me conhecessem, saberiam que o meu humor é ao contrário.
Depois que descobri a sátira, nunca mais fui a mesma. Até perdi alguns amigos por isso. Aliás, como posso tê-los perdido se nunca os tive? Nem me eram amigos, porque ora, se os fossem já teria bebido com eles. Eram apenas colegas. Colegas que poderiam vir a ser outra coisa se eu me fizesse rir quando não tinha vontade.


Às vezes me vem a ânsia em querer poder saber quantos goles de conhaque já desistiram de mim nessa vida.