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domingo, 1 de maio de 2011

Senti pelo aspira-dor

O tapa que era pra ser na bunda se faz no sofá da sala
Três breves batidas pra tirar o farelo da paciência.
A rotina corrida antes feita para salvar um mundo corre na fila da liquidação
A roupa suja que seria lavada pra tirar o suor da mesquinhez se esfrega com a própria mesquinharia
O pano que tiraria a gordura da má vontade se torna o pano da futilidade
Laços de fita enfeitam a casa
Laços de fita disfarçam alegria e tranquilidade
As flores que eram pra simbolizar a harmonia parecem mortas, secas, tristes. 
O lençol que seria colocado de molho pra tirar o gosto de sexo, mergulha no amaciante da eterna masturbação pecadora, envergonhada, escondida, reprimida.
Não adianta tentar esconder as dores no brilho do fogão
Das banquetas...
Dos pratos...
Não adianta me mostrar a polidez da panela e a bucha que fez milagre.
Nem que esfregasse minha cabeça no chão eu compreenderia essa nóia desnecessária
...
Ai dessa gente.
Ah, e essa gente que não sabe o que é bom na vida.
Ai, essa gente!

Riso-sorriso-riso-sorriso-risoesconderam-se embaixo de qualquer colchão.

 É isso o que os meus olhos veem.
E enxergam, escutam, sentem, choram, derramam lágrimas de um desespero alheio.

Tenho dó.
Pobre neurose.
Isso é doença, amigo! 

3 comentários:

Ger disse...

também acho doença! mas um dia as pessoas aprendem =/

Vinicius Neri disse...

" e por mais que se deixem sempre polidas as pratarias de hipocrisia... A sujeira da casa cheia de vazio grita por debaixo dos tapetes."

O dia em desalinho disse...

E enquanto não aprendem, que aproveitemos do lustro das panelas bem lavadas para disfarçar a sujeira que antes passou por ali.