Total de visualizações de página

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Estéril

Milimetricamente contado e estou aqui de novo: a cara miúda, cinco rugas a mais, olhos marejados e os dedos ácidos que se tremem na ânsia de um dizer. Há quanto tempo deixei de lado o vício de escoar letras? Um ou dois anos? Já nem sei.
O que sei é que a sensação é a mesma: o corpo se infla por dentro, vai acelerando, uma vontade de esbravejar, mas não só.  
Um urro de um lobo, algo que te vira do avesso, as tripas se arrastam no chão e finalmente o gozo, a extasia, a dança frenética do corpo e de algo que flutua aqui dentro que até hoje não sei dizer o que é.

Eu que já havia tentado voltar aqui tantas vezes...

Em meio as mil janelas que são abertas no computador, entre as músicas, as pesquisas, as crônicas que tiram o sorriso de canto, estava lá: o blog e sua falência. Abria-o, olhava-o, digitava uma ou duas palavras, e de imediato clicava o X vermelho do canto da tela que era para fugir do instante. 

Foi um jeito que criei pra postergar essa ladainha de sempre. Essa insistência imbecil de dizer a mesma coisa, de estar sempre falando do ato enquanto poderia contar causos, ou escrever qualquer coisa tragável, importante, funcional. Mas hoje...

ainda-não há-o gozo-da dor-do choro-do alívio-da fúria-do extermínio-da lucidez. mas-já-lavei-a-cara-o corpoencolhidoedesajeitado-tudo-pra-criar-coragem-de-dizer-de-novo-e-imbecilizar-palavras. 

sábado, 22 de junho de 2013

A cor da noite se esvai quando duas gotas de sal caem do céu.

domingo, 16 de junho de 2013

PSICOMANIA

 Ladrilhos no chão
A pá que te cova não arde mais os olhos.
Nem mais o sal, nem o alho refogado
Nem qualquer noção de morte
O medo já se fez parte
E no fazido tomou conta.
Contido, dissipou toda forma de perigo.

Rei das artes, das selvas,
Rei dos felinos, dos filmes antropofágicos.

O que há em meio ao deserto mais árido?
Vales da morte?
A mão se coloca no fogo e a cabeça das rajadas de vento.
Pula a cordilheira, anda no gelo,
Acampa em meio aos espinhos.
O que pode mais acontecer?

Uma dor de cabeça, um dedo quebrado, pés molhados, câncer de próstata.
Um ano a menos, alguns menos batimentos cardíacos.
Um dia sem comer chocolate?

Enquanto cantava que perdera seu medo da chuva,

Descobri que o sim é um passo que se dá no vazio de um suspiro ansiante.



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Um lugar comum


Estranho é o dia em que meus olhos não se excitam pelo cheiro da noite.
O céu me entope de amores, querendo namorar o que me resta do dia.
Reprimida pelo orgasmo certeiro, porque a lua já não me para de piscar,
Fecho a sobra da janela e me acoberto do que se diz por convencional.

Polanski me prende na tela.
O carnaval se foi e meu quarto não viu.

As pernas da gaiola chutam as veias de profanação.
Um poeta triste.


Um fio de chuva cai sobre os meus olhos, entortando o riso que restara do amanhecer
As curvas do infinito desaguam na mente espantosa
que clama pelas mais retas respostas
do que a vida há de ser.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Tu omites


Já é quase fevereiro e me submeti a não desvendar os meus dias durante quase um ano. Tenho sentido que vivo e não digo que vivo. E não dizer que vive é o mesmo que não viver. Sinto-me pecando por conta de não costurar meus dias em linhas de alfabeto.
Quase que um morrer ajoelhada no milho depois de um pecado (im)perdoável. Escrever é assim: a reza matinal da freira no convento.
Estou fugida das ordens da igreja escritoureira. Ando anarquizando o lugar onde eu mesma me coloquei.

Um ano de amor, trocas, sustos, costumes, enlaces, rupturas, comichões, historietas, passagens...

Um ano servido de  invisibilidades na última garfada da noite.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

'Pra dizer Adeus'

Meu pescoço dói
Minha cabeça dói.
Meu tudo dói
Dói em mim um mundo

O cansaço cria rizomas e não admite qualquer sensação de prazer
Se sorrio, choro porque estou sorrindo
Se festejo, entristeço apenas pelo evento de festejar
Um moinho de vento nas minhas costas
Uma carga pesada me acoberta os olhos

Não me permito gozar o dia.
Me encho de anoitecer.
A lua, a tempestade, o dia cinza: a melancolia me é injetada no braço

Três entorpecentes baratos, somado a um ar falseto e pronto: uma felicidade inclandestina ressurge no meu olhar.

E daí que já odeio as cores cruas e nem quero mais café.

Peço uma salada-de-frutas porque é importante cuidar da alimentação.
Corridas pela manhã
Abdominais no fim de tarde.
Troco a madrugada por um belo pôr-do-sol.


Como é fácil parecer interessante.

Uma foto sorridente com uma descrição de amor e paz para todos.

Tudo isso esconde a vontade de me jogar do décimo quinto andar.